Controle de Barbeiro

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Sabemos que os barbeiros, também conhecidos como percevejo-do-sertão e chupanças, podem trazer diversos riscos à saúde da população. Isso porque esses insetos são os responsáveis pela transmissão da Doença de Chagas.
Os barbeiros podem ser encontrados principalmente em locais úmidos, quentes e escuros, como frestas de paredes das casas de barro ou buracos nos móveis.

Os barbeiros são hematófagos e no período da noite os barbeiros saem dos esconderijos em busca de alimento. É geralmente nesse momento que ocorre a picada e a transmissão da Doença de Chagas.

Vale ressaltar que nem todas as espécies de barbeiros são agentes da doença. Apenas algumas delas são capazes de transmitir a Doença de Chagas. No entanto, a contaminação ao ser humano só ocorre se os insetos estiverem infectados pelo protozoário Trypanosoma cruzi.

O barbeiro adquire o parasita ao picar animas que que já estejam contaminados, geralmente gambás ou pequenos roedores. A transmissão ao ser humano não acontece diretamente pela picada, mas quando a pessoa coça o local atingido e as fezes do barbeiro penetram no organismo por meio da ferida causada ali.

Os sintomas da Doença de Chagas são imperceptíveis nos primeiros meses. Por esse motivo, a BASF recomenda um controle integrado para prevenir a presença dos barbeiros.

Mantenha a casa sempre limpa e retire pedaços de madeira ou qualquer outro material que possa servir de esconderijo para os barbeiros. É necessário, também, garantir a limpeza das instalações dos animais domésticos, já que estes podem ser picados pelos barbeiros.

Para um controle mais efetivo, faça uso de soluções eficientes e profissionais capacitados.

A melhoria habitacional abrangeria não apenas o domicílio, mas também o peridomicílio. Diferentes técnicas de construção simples e de baixo custo têm sido desenvolvidas, como a obtenção de tijolos mais resistentes que o adobe e o barro utilizados. No entanto, apenas a melhoria em si não é suficiente para o controle do “barbeiro”. É necessária uma mudança de comportamento dos moradores da residência. Estudos demonstraram que as casas de alvenaria recém-construídas podem ser rapidamente colonizadas por triatomíneos, desde que sejam mantidas a desorganização (sujeira) interna e os esconderijos do mesmo.

Outro método de prevenção é o controle biológico. Este não possui a finalidade de eliminar os triatomíneos, mas a manutenção do equilíbrio entre a população e os seus predadores. Foram identificados diversos animais que naturalmente parasitam ou predam os triatomíneos como: fungos (exemplo: Metarrhizium anisopliae), micro-hemípteros (insetos dos gêneros Telenomus e Ooencyrtus), além de formigas, micro-ácaros e aranhas.

Finalmente, há os inseticidas organoclorados e piretróides que correspondem ao método barato e rápido. Sua aplicação acarreta o decaimento rápido da população intradomiciliar, obtendo-se a negativação das casas em pouco tempo e a interrupção da transmissão vetorial. Todavia, os organoclorados possuem um efeito residual, não são biodegradáveis e, por isso, o uso contínuo na agricultura levou a casos de intoxicação animal e humana (hemorragia capilar cerebral, hepática e renal) e ao desequilíbrio biológico. Por isso a Organização Mundial da Saúde criou uma lei (Portaria Ministerial n° 356, de 14/07/71) proibindo o uso agropecuário dos inseticidas organoclorados.

Atualmente são utilizados outros inseticidas testados pelo Programa de Controle da Doença de Chagas: os piretróides, ésteres de ácido crisantêmico, delmatrina, cipermetrina e a lambdaciolotrina.

Doença de Chagas

A doença de Chagas, também, é considerada um dos problemas mais importantes de saúde na América Latina, com cerca de 9 a 14 milhões de indivíduos chagásicos, 60 milhões vivendo em risco e cerca de 20.000 caso/ano em 18 países da América do Sul e Central. No Brasil, é uma endemia que atinge aproximadamente oito milhões de habitantes, sendo uma das principais causas de morte súbita que pode ocorrer na fase reprodutiva de um indivíduo.

A doença de Chagas possui vários mecanismos de transmissão:

» Pelo vetor: penetração das formas presentes na urina/ fezes na lesão ocasionada pela picada do “barbeiro” (maior importância epidemiológica).

» Transfusão sangüínea: 2º mecanismo em grau de importância epidemiológica.

» Transmissão Congênita: mais de 100 casos descritos no Brasil e no Chile; ocorre quando há ninhos de amastigotas na placenta que liberam tripomastigotas para a circulação do feto.

» Acidentes de laboratório: ocorre quando há acidentes com pesquisadores e técnicos que trabalham com o parasita; podem acontecer contaminações através da pele lesada, mucosa oral, auto-inoculação, entre outras maneiras.

» Transmissão oral: pela amamentação; canibalismo entre animais; pessoas ingerindo
alimentos contaminados com fezes ou urina de triatomíneos infectados (caldo-de-cana
e açaí)-penetração pela mucosa da boca íntegra ou lesada.

» Transplante de tecidos contaminados por amastigotas.

Comumente se atribui o nome de barbeiro ao triatomíneo transmissor da doença de Chagas ao homem, ao fato do inseto picar principalmente a face por ser a mesma mais acessível, em virtude de permanecer descoberta durante o sono. A associação de face com barba teria dado origem à denominação de barbeiro. Esta explicação, no entanto, não parece correta. O próprio Carlos Chagas que a mencionara em seu primeiro artigo escrito em alemão, em 1909, descartou-a no trabalho seguinte, escrito em português em 1910, e concluiu que o nome de barbeiro estaria relacionado com a função deste profissional de praticar sangrias e aplicar sanguessugas no passado.

Na história da medicina brasileira dos tempos coloniais, o profissional barbeiro, além de cortar o cabelo e a barba, era um profissional da medicina, cabendo-lhe, entre outros misteres, praticar a sangria, então usada como panacéia para todas as doenças. Em numerosas vilas e povoados, o barbeiro foi, por muito tempo, o único profissional da medicina existente, conforme registra o historiador Lycurgo Santos Filho. A literatura médica realça a espoliação de sangue como um dos aspectos mais importantes na transmissão vetorial da doença de Chagas. O inseto, ao sugar o sangue de sua vítima, imita o profissional barbeiro quando este realiza uma sangria e não quando corta a barba de seus clientes. Embora aceita pela maioria das instituições oficiais de saúde, os autores discordam da interpretação de atribuir o nome de barbeiro dado ao inseto por ele picar mais vezes a face e defendem a que foi dada por Chagas em seu trabalho de 1910, segundo a qual o nome procede da prática da sangria por aquele profissional no passado.

A doença de Chagas é caracterizada por três fases de acordo com os sintomas apresentados ou não pelo doente:

» Fase aguda (pode ser sintomática ou assintomática): se manifesta quando o T. cruzi penetra na conjuntiva (sinal de Romanã) ou na pele (chagoma de inoculação). O sinal de Romanã é caracterizado por edema bipalpebral unilateral, congestão conjuntival, linfadenite-satélite, com linfonodos pré-auriculares, submandibulares e outros aumentados de volume, palpáveis, celulite do tecido gorduroso periorbitário e palpebral e presença de parasitas intra e extracelulares em abundância. Outras manifestações gerais são: febre, edema localizado e generalizado, poliadenia, hepatomegalia, esplenomeglia e, às vezes, insuficiência cardíaca e perturbações neurológicas.

» Fase crônica (assintomática): as lesões são muito discretas e podem permanecer assim por vários anos.

» Fase crônica (sintomática): a sintomatologia está relacionada com as 3 formas:

- Cardíaca: ocorre em 20 a 40% dos pacientes do centro-oeste e do sudeste. Os sintomas apresentados pelos pacientes são: insuficiência cardíaca devido a diminuição da massa muscular por fibrose, edema e cardiomegalia;

- Digestiva: atinge de 7 a 11% dos casos. Os doentes apresentam falta de coordenação motora, megaesôfago e megacólon e, ainda, sintomas como dor, regurgitação, soluço, tosse, dificuldade e dor para engolir;

- Nervosa: há alterações psicológicas, perda de memória (perda de neurônios).

A evolução da cardiopatia crônica é variável, dependendo principalmente da atividade da infecção. A sobrevida é geralmente longa; entretanto, a maioria dos doentes morre antes dos 50 anos de idade. O prognóstico depende principalmente do grau de aumento do coração e da redução de sua capacidade funcional, do tipo de arritmia presente e do potencial evolutivo da infecção crônica. A morte súbita é muito comum nesta cardiopatia; a maioria dos doentes, porém, morre de insuficiência cardíaca.

Não se dispõe ainda de medicamento eficaz para o tratamento etiológico da doença de Chagas. No tratamento da insuficiência cardíaca da cardiopatia crônica da doença de Chagas obtêm-se frequentemente melhores resultados com a estrofantina ou a ouabaina.

Um método eficaz para a detecção do T. cruzi em pessoas e animais infectados é o xenodiagnóstico. Este método introduzido por Brumpt em 1914 é largamente empregado ainda nos dias atuais no diagnóstico da doença de Chagas. A multiplicação do T. cruzi no trato digestivo do triatomíneo permite sua detecção nas fezes ou na urina dos insetos alimentados com sangue do paciente ou de animais suspeitos após um período 1 a 3 meses. Sua utilização, entretanto, pode ocasionar reações alérgicas decorrentes da saliva dos triatomíneos levando à rejeição do exame pelo paciente, com certa frequência.

A doença de Chagas sempre existiu em ambiente silvestre nos animais classificados como vetores intermediários. Com a destruição do ambiente natural a doença “migrou” para os centros urbanos e rurais, e, assim, para o ser humano.

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